Pela primeira e espero que única vez, nesta história utilizo uma linguagem francamente rude e indelicada, algo que odeio fazer num escrito porque implica uma gravíssima falta de respeito por aqueles que se preocupam em me ler. Mas o ambiente em que a história se passa, o submundo da prostituição, mesmo que seja “de luxo”, acho que exigia isso. Lá, a linguagem acadêmica e educada, francamente, é pouco utilizada. Embora também seja utilizado, digamos formalmente, no trato com clientes, etc. Na intimidade do trato diário com conhecidos e outras pessoas não costuma ser utilizado, e menos ainda quando um “profissional” é rude com um cliente. Que idioma eles costumam “gastar” então. A FORÇA DO AMOR Como todos os dias, já vestida “para o trabalho”, me olhei nos dois espelhos que mostravam as duas portas do armário abertas; Virei-me sedutoramente e, depois de levantar o polegar em aprovação, peguei a sacola e saí para a rua pegar um táxi até a boate. Durante toda a viagem percebi que o taxista ficou de olho em mim pelo retrovisor. Isso está funcionando! Disse a mim mesmo que ainda atraio o olhar lascivo dos rapazes. E apesar dos meus quase trinta “tacos” já! O táxi finalmente chegou na frente da boate, paguei enquanto o cara me dava uma graça que mais parecia grosseria, mas... enfim, a gente já está muito assustado de medo e sem prestar atenção nele entrei. Como durante dias, meus olhos percorreram instintivamente o local até que o vi, sentado a uma mesa, sozinho como sempre e, como sempre, com seu impecável terno azul marinho, camisa azul profundo, gravata marrom e sapatos brilhantes, mais que limpos. Sobre a mesa, o gin tónico meio consumido. Devo admitir que isso me deixou intrigado. Ele chegou ao clube uma tarde, no final do dia, sentou-se na mesma mesa que ocupa agora e imediatamente chamou minha atenção. Imediatamente pensei que não demoraria muito para ele “começar” atrás de mim, mas me enganei porque ele não fez nenhum movimento para se aproximar. Ele permaneceu ali, imóvel, sentado, consumindo seu gin tônica bem devagar, gole a gole, enquanto a passos largos dirigia para mim aquele olhar intenso que tanto gosto e também tanta desconfiança. Várias meninas se aproximaram dele, mas nenhuma delas conseguiu levá-lo ao “pomar”. Desde então, todas as tardes eu o via aparecer no último minuto, por volta das nove horas, sentar naquela mesma mesa ou na mais próxima se já estivesse ocupada, pedir a bebida eterna e ficar ali, sem mais emoção nos gestos do que olhar para mim de vez em quando. Novamente, e diversas vezes, recebeu a “visita” de quase todas as meninas; Ele os tratava com deferência, muito gentilmente, é claro, mas sempre recusando seus “serviços”, até que meus companheiros começaram a “repassá-lo”. Eles até começaram algumas piadas que foram francamente ofensivas mais de uma vez, especulando bem alto, o suficiente para garantir que o cara descobrisse, sobre se talvez o que ele iria fazer todas as tardes seria lançar olhares carinhosos para um garçom, muito bem vestido por sinal e um pouco alegre. Sem saber por que, essas farpas não me agradaram nada. Também rolavam fofocas e piadas sobre o “fulano” ser meu amante platônico... mas só assim, platônico... talvez porque em pouco tempo eu não conseguisse “fazer” nada. E isso me fez sentir pior. Fui em direção ao bar quando notei uma das garotas me chamando. Sentei-me num banquinho como sempre e a menina, Carla, me contou Aí você tem mais um dia. Nem um único falha, garota. Você não vai se cansar de andar sempre do mesmo jeito? Sem nunca decidir nada. Ou ele é muito tímido ou não o entendo. Aqui todos os caras chegam à mesma coisa...! Olhei para ele mais uma vez. Sim, como sempre, seu olhar estava fixo em mim. Mas quando nossos olhares se cruzaram abertamente, foi a primeira vez que olhei para ele abertamente, sustentando seu olhar, percebendo seu interesse, ele desviou os olhos, baixando-os como se sentisse vergonha de ter sido pego de surpresa. Eu me decidi. Peguei no balcão a bebida que acabara de me ser servida e, confiante, fui até a mesa dela para avisar quando a alcançasse. Olá, meu nome é Esmeralda, e você? Ao me ver aproximando-se, levantou-se e puxou galantemente uma cadeira para mim, para que ficasse mais confortável sentar-me. Não posso negar que gostei disso, talvez pelas poucas vezes em que fui tratado assim. Meu nome é Juan. Você quer algo Esmeralda? Não, Juan, obrigado, você vê que estou servido. Você tem vindo muito aqui ultimamente, certo? Mas nunca vi você sair com nenhuma das garotas. Você não gosta de nenhum de nós? Eu gosto de você... muito. Você é lindo. E com um corpo matador! Eu ri com vontade. E avancei as mãos sobre a mesa até pegar as dele nas minhas, o que apertou com aquela intensidade certa que transmite um pouco de ternura sem oprimir, sem parecer se impor a ele. Os caras sabem que a única coisa que você procura neles é o dinheiro, mas quando chega a hora eles também gostam que você finja que está interessado neles, que eles te deixam louco. Coitadinhos... O eterno masculino, que também existe, eu prometo. São muitos anos de “militar”!... E, claro, já tinha este no barco!.... É curioso, como no início me pareceu difícil e como tem sido fácil deixá-lo “babando”... Cara Juan, muito obrigado! Acho que você é um bajulador. Então... você gosta de mim. Bem, você eu também. E... o que... você se atreve a sair comigo? Tenho um apartamento ao lado; Nem precisaremos de táxi. OK?. Além disso, vou tratá-lo bem. E, no total, por apenas 150 euros pelo serviço completo. E sem pressa querido, pelo menos 30 minutos. O que você acha Juan? Você verá como não se arrependerá; Garantido que você se divertirá muito comigo. Agora quem riu muito foi Juan
